A vastidão e imponência dos vales, o cânion dividindo a pedra bruta, a divergência da própria natureza que separa a paisagem em verde e laranja, essas são as primeiras impressões que tive sobre a história na qual estava prestes a acompanhar, uma história na qual a barreira geográfica não é apenas parte do cenário. Do alto da montanha o horizonte é sempre mais amplo. E para o jovem Joel Kapala, essa é uma das vantagem de se estar no topo. O rapaz é filho de um mecânico, e mora no interior da Angola com sua família. Ele deseja entrar em uma boa escola preparatória na capital e quem sabe ter um futuro mais promissor que o de seus conterrâneos. Joel faz de sua principal motivação a promessa de que um dia ele “subira na vida”, uma promessa cravada em uma pedra.

Os primeiros minutos de Jikulumessu (Abre os olhos, em português) são uma pequena viagem ao passado. A história começa em 1998, quando Joel conhece Djamila, e um acontecimento trágico une os dois para sempre. Mas a novela, contada em duas fases, deixa a trama do casal apaixonado para depois, já que Joel parte para Luanda, ao ser aceito na escola de seus sonhos. Djamila fica para trás, no interior, envolta a sua nova realidade e na esperança de um dia se tornar uma cantora famosa. Mais do que a história de amor entre Joel e Djamila, Jikulumessu tem como eixo principal a motivação dos protagonistas pela vingança.

Ao longo de 120 capítulos, Jikulumessu promete mudar o jeito como o qual vemos Angola e o continente africano inserido na contemporaneidade. O folhetim de duas temporadas toca em temas atuais e globais como corrupção, drogas e homofobia, e chegou a ser censurada ao mostrar o beijo entre dois homens – reflexo de uma sociedade ainda conservadora. Ai que percebemos que Angola esta bem mais próxima do nosso pais do que nos é ensinado nos livros de história. Os problemas sociais, como a desigualdade entre o campo e a cidade, entre ricos e pobres, é uma pequena prova dessa semelhança, mas o que talvez chame mais a atenção do público brasileiro seja a desconstrução da ideia que temos da África.

A cidadezinha de Joel me lembrou os vilarejos entre Minas Gerais e a Bahia. Lugares nos quais a fartura eh para poucos, e nem sempre as pessoas estão dispostas a pagar o preço (caro) pela ascensão. Alguns preferem a simplicidade, como o pai de Joel, mecânico, que se opõe a ida do filho para Luanda. Nessa narrativa, a capital representa a pureza corrompida, um lugar no qual tudo é possível. De certa maneira, apesar do rapaz acreditar que sua vida será melhor por lá, é no interior que ele busca sua própria redenção.

As diferenças entre o nosso português e o falado em Angola deve ser encarado como uma aprendizado. Assim como no Brasil, lugar onde a imensidão promove a diversidade de dialetos e sotaques, Angola também tem suas especificidades. A TV Brasil chegou ate a montar um pequeno dicionário com as expressões mais comuns na novela, mas não chega a ser difícil entender o que é falado na trama.

Outro ponto em comum com o Brasil é a participação da atriz angolana Heloísa Jorge, intérprete de Djamila Pereira. Heloísa chegou ao Brasil aos 12 como refugiada da guerra civil que assolava seu pais de origem. Em 2014, ela retornou a Angola para protagonizar a trama. Aqui no Brasil, Heloísa participou das produções globais Grabriela, Liberdade, Liderdade e A Lei do Amor.

Jikulumessu estreiou por aqui no final de maio e, é exibida  às 20h30 , pela TV Brasil.

Angola e seus encantos em uma das produções mais festejadas do país

 

Confira o trailer do novela

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