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#Opinião – Futebol Americano: não é pelos jogadores, é pelo jogo mesmo

#Opinião – Futebol Americano: não é pelos jogadores, é pelo jogo mesmo

Todo ano é a mesma coisa: por que você assiste isso?

Isso é futebol americano, um esporte quase tão antigo quanto o nosso futebol, mas bem menos popular no Brasil que o jogo com a bola redonda. Isso é um jogo de estratégia, de talento e de trabalho em conjunto. Isso também é um jogo demorado, dura cerca de três horas, com muitas pausas, muitas regras, que demanda não só tempo, mas também bastante paciência. Mas isso não quer dizer que futebol americano é chato, muito pelo contrário, é simplesmente fascinante.

Mas quando alguém me pergunta por que assisto a NFL (National Football League), a brincadeira mais comum é dizer: você já viu aqueles jogadores?

Há uma ideia completamente machista de que mulher não gosta de esportes. Nos Estados Unidos não é diferente. Mesmo que os jogos da Liga de Futebol Americano sejam eventos bastante familiares (ou seja, vai todo mundo pro estádio), o conceito de que homens ficam na sala e mulheres, na cozinha, em dia de partida é tão antigo quanto o Clube do Bolinha.

Assistindo The League, uma série sobre Fantasy Football (o famoso Cartola daqui), dá para se ter uma ideia de como a mente do homem trabalha.  Jenny (Katie Aselton) domina o jogo em termos de estratégia e é a responsável pelo sucesso do seu marido Kevin (Stephen Rannazzisi) nas rodadas do jogo virtual. Ela é claramente mais capacitada que ele, mas é proibida de participar da Liga por ser mulher. A história eventualmente toma outro rumo, quando, em uma reunião de confraria, os homens permitem que ela faça parte do “time”. A comédia funciona como uma crítica do pensamento de uma grande maioria que acha que mulher só pode gostar de algum jogo por causa dos jogadores (bonitos).

A minha paixão pelo esporte surgiu ainda nos Estados Unidos, quando eu morava em Massachussets. Mas o primeiro Super Bowl que eu vi, só me lembro mesmo do episódio de Grey’s Anatomy, que passou logo depois da partida. Não entendia o jogo, não fazia sentido para mim. Só sabia que o New England Patriots tinha sido campeão no ano anterior e que as pessoas de lá tinha muito orgulho disso. Foi apenas quando eu voltei ao Brasil que passei a compreender um pouco mais sobre futebol americano, isso porque meu vizinho (e melhor amigo) Leonardo jogava, e passamos a ver os jogos com mais frequência. Quanto mais eu entendia, mais gostava do jogo. E é basicamente isso, você se apaixona.

Então, respondendo a questão fundamental, não é pelos jogadores, é pelo jogo mesmo.

Durante a temporada passada, descobri no Twitter um grupo de meninas que dividem a mesma paixão pela bola oval: o @NFL_Luluzinha. São 14, ao todo, e de diversas partes do Brasil. Elas são um sucesso na rede social, comentam os jogos, dão palpites sobre os jogadores, e tratam o esporte com bastante naturalidade, com maestria de quem sabe sobre o que estão falando. “Eu sempre digo: no mundo existem dois tipos de pessoas: as que amam a NFL e as que não conhecem a NFL”, explica Etienne, publicitária e Luluzinha. O grupo, além do Twitter, administra o site Luluzinhaclub.com, especializado em futebol americano, com um jeito todo especial de falar sobre o esporte.

Foto: Anaira Pereira

O projeto nasceu em 2013 e elas contam que apenas 10% dos seguidores eram mulheres, mas agora esse número triplicou. Apesar da dominância masculina, é importante destacar o clima de respeito que há entre os encorajadores do esporte no Brasil, que parecem ser bastante receptivos à ideia de que lugar de mulher também é na NFL.

No dia do Super Bowl, elas têm eventos no Rio e em São Paulo, mas há Luluzinhas no país inteiro, “agregando a mulherada para assistir aos jogos”, conta Etienne.

No campo e na TV

As meninas, assim como nós aqui da Pixel TV, também acompanham o esporte nas telinhas. A série favorita da galera é Friday Night Lights (que é a minha também, por todas as razões do mundo). O drama fala sobre o envolvimento do esporte com a comunidade no Texas e como o futebol americano pode transformar a vida das pessoas. A série também é um importante indicador de como as mulheres ainda precisam brigar por seu espaço no jogo. A personagem Jess Merriweather é fã de futebol, namora (e serve como treinadora nas horas vagas) o quarterback do time da escola e, apesar de entender muito sobre a técnica do esporte, acaba sendo descreditada muitas vezes, “por que é apenas uma garota”. Jess, depois de muita luta, se torna assistente de treinador na faculdade.

Não tenho o conhecimento da Jess, nem da Jenny; na vida, eu sou mais como a Penny de The Big Bang Theory. Gosto de torcer, de assistir aos jogos com amigos, beber, comentar as jogadas, secar os times inimigos. Basicamente, me divertir. Cada partida dura o dobro de um jogo do nosso futebol, então, a dica é se cercar de bebida, comida e boa companhia.

A combinação de esporte e seriados é uma boa pedida para quem está querendo entender um pouco mais sobre o jogo (corre para a ler a nossa lista de dez séries sobre o esporte)! Se você quiser a indicação de um bom filme, a dica das Luluzinhas é o Draft Day, que explica os bastidores do draft – um tipo de rodadas de convocações para os times. O meu seria o The Blind Side – simplesmente porque a Sandra Bullock não erra nunca!

Brincadeiras à parte, o importante é entender que apenas as pessoas ignorantes não suportam a ideia de que torcer não tem sexo. Seja na NFL, FIFA, WSL, ou na liga de peteca da escola.

#GoPats

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