Antes de partir para o que interessa, uma verdade: pode passar o tempo que for, mas aquele calcanhar de Aquiles com o rótulo “série teen” sempre existirá em minha pessoa. Uma pena que, a cada ano que passa, poucas que surgem chamam a atenção à primeira vista, conseguem prender qualquer telespectador de primeira ou perduram com qualidade ao longo das temporadas – sendo este último detalhe bastante colocado em cheque nesse universo. Afinal, chega uma hora em que o fandom tem mais voz que os roteiristas e daí temos a famosa ladeira abaixo. [Nem tudo é perfeito, né?]

O mundo das séries adolescentes costumava ser mais vasto e seus escritores um tanto mais dedicados – inclusive, mais acessíveis, por assim dizer. Só esse ano, várias finalizaram, tais como The Vampire Diaries, e, logo menos, Pretty Little Liars e Teen Wolf  lhe farão companhia. Assim, numa cacetada só, três séries que marcaram uma geração falecerão. Too much!

Não posso esquecer de mencionar outras queridas que também se foram, como Skins e My Mad Fat Diary. Além de inesquecíveis, demarcam outra zona de produção desse conteúdo, enaltecendo os adolescentes ingleses – fato que prova que séries teens têm plena capacidade de se assentar em vários lugares do mundo e, hoje, vamos lá para a Noruega, lar do hit chamado SKAM.

Não duvido nada que SKAM tenha marcado presença temporária em rodas de conversa sobre séries e que alguns soltaram os famigerados “já ouvi falar” ou “desconheço”. Há dois anos, ela parecia apenas uma websérie pouco comentada e repercutida – com exceção, provavelmente, entre aqueles muito chegados a conteúdo adolescente e/ou parte do fandom. Em parte, isso acontece vale pela dificuldade de ter acesso aos episódios, fazendo com que quem acabe por compartilhar o conteúdo no Brasil são justamente os sites de fãs. Ou seja, depende muito do interesse de correr atrás e assisti-la. Acreditem, vale a pena!

Mas o que é SKAM no final das contas? Trata-se de uma websérie norueguesa criada por Julie Andem, lançada em 2015 (isso mesmo, 2015!!) sobre um drama adolescente que se passa em Oslo, Noruega – e que encontrou seu auge ao longo da 3ª temporada devido ao casal gay formado por Isak (Tarjei Sandvik Moe) e Even (Henrik Holm). Há, sem dúvidas, outros méritos a serem destacados, tais como a preocupação em criar uma interação real entre os personagens e o público (norueguês precisamente),  investida esta que estende à experiência do que ocorre nos “clipes” que são transmitidos durante a semana até a liberação do episódio completo.

“Como assim?”, você pode estar se perguntando. SKAM mistura realidade com ficção em vários âmbitos, a começar pela grande oportunidade de interação com os personagens por meio do celular, o que deixou o público norueguês obcecado. Os “clipes” que, em suma, são fragmentos de poucos minutos do episódio em si abrem margem para o compartilhamento de material em redes sociais e em SMS, seja para adiantar um evento ou reforçar um acontecimento. Cada um tem uma conta e “postam” como se fossem tangíveis – como amigos mesmo. [Notificações de vício atualizadas com sucesso].

Essa dinâmica de SKAM é até que simples e só se dificulta por aqui devido ao fuso horário. O importante é que nada fica no esquecimento porque essas interações extras online dão força à experiência. É interação de duas vias. Um realismo que também calha no elenco gente como a gente (por assim dizer) e nas conversas pontuais que transcorrem ao longo dos episódios.

Para os curiosos, SKAM foi traduzido para Shame nos EUA (no Brasil, seria Vergonha). Nossa, mas não parece Skins? Não tem nada a ver, embora os nomes sejam parecidos e cada temporada mostre o ponto de vista de um personagem por vez. A diferença, contudo, começa pelo empenho de Julie em estreitar as relações entre seus personagens diante de circunstâncias verossimilhantes do universo adolescente. Ela testa sisterhood e brotherhood em convívio e em adversidade, em meio a agonias e escândalos. Não há romantização da juventude, nem glamour e nem exageros. Há uma escolha peculiar de pautas que muitas séries desse gênero dispensam pela sua necessidade de romance.

Mas isso não quer dizer que SKAM não tem romance. Tem sim, mas não é a prioridade. Na verdade, é uma âncora de impulso para debater desde slut-shaming até islamofobia.

Além do coração, SKAM se encaixa perfeitamente em debates atuais. O papo não é sobre quem fica com quem, independentemente de ter romance por temporada, mas como cada adolescente reage dentro da sua adversidade que contrapõe crenças e valores. Os roteiros vão direito ao ponto, não tem futilidade e nem ladainha. Por ter uma história por temporada, há certo aprofundamento dentro da temática proposta por ano, a qual rebate em todo mundo. Muito além das protagonistas, a websérie trabalha em grupos e força com que eles pensem “fora da caixinha”. Quantas séries teens tiveram esse talento? Bem poucas, acredite em quem conhece do assunto.

A 1ª temporada é dedicada à Eva (Lisa Teige); a 2ª, à Noora (Josefine Frida Pettersen); a , ao Isak; e a , à Sana (Iman Meskini). Não há divisão de geração por geração, pois Julie retrata seus personagens em combate com o meio. Um por vez. O empecilho inicial de cada ano abre margem para discussão, amarrando uma coisa na outra, oportunizando a chance de conhecimento de quem se posiciona como sistema de suporte a quem é protagonista. Outro fator atraente é que você acaba se apegando ao combo inteiro. Você sente por todos, que acrescentam vários tipos de personalidade em cena.

Seja quem acredita no feminismo ou quem perde a noção ao perguntar quem é a garota de uma relação homoafetiva, SKAM quer que todo mundo faça parte da conversa. A função da websérie é criar diálogo e essa meta é cumprida com extremo sucesso.

Resumo das temporadas

1ª temporada (Eva Mohn)

“Quando você perde sua opinião, você está acabada” – Eva

Embora seja inserida no contexto de SKAM na companhia de Jonas (Marlon Langeland), o namorado, o que pega nessa storyline é a misteriosa perda da amizade entre Eva e Ingrid (Cecilie Martinsen), provocada por uma confusão que é desenvolvida ao longo de 11 episódios  – tempo mais que suficiente para acompanharmos conflitos da protagonista que vive na corda bamba da identificação e da aceitação, seja individualmente ou em um relacionamento. Aqui rola um pouco daquele papo que, se não estamos bem, não tem como sermos melhor aos outros. Inclusive, da culpa por magoar alguém querido.

Eva vive praticamente entre Jonas e Isak (o melhor amigo de Jonas). A agonia de ter perdido a melhor amiga a persegue e vemos como isso reflete em seu universo. Até o desvendar desse mistério, a personagem segue sozinha, sem amigas, um processo automático sobre uma perda da qual se culpa. Um divagar solitário que não dura muito, uma vez que o namorado a aconselha a fazer novas amizades. O que não é uma tarefa fácil a princípio, pois a jovem quer tentar ajustar os ponteiros com Ingrid e não há brecha. Sem contar que a protagonista se sente “ok” entre os garotos, mas acarreta problemas também por questões de espaço e de individualidade fora do namoro.

Mesmo temerosa, Eva vai nessa busca de amizades e é aí que SKAM começa a se apresentar e a ganhar forma. Ato que começa em uma balada, lugar onde a protagonista é humilhada por Ingrid. Lá, ela conhece Noora, Chris (Ina Svenningdal) e Vilde (Ulrikke Falch). Em outra ocasião, conhece Sana, fechando o famigerado girl squad. A personagem teve, então, que correr atrás de ter uma amiga, mas acabou com quatro, mesmo que no início seja um conhecer turbulento por causa das diferenças entre elas.

Esse grupo de meninas, que nunca se viram ou conversaram na vida, acaba por ser o maior sistema de suporte da angústia de Eva começa, tanto sobre Ingrid quanto Jonas, destacando dúvidas sobre infidelidade e identidade. Além disso, se discute slut-shaming e inimizades femininas. Porém, o conflito maior dessa personagem é que ela não se conhece por viver sempre sob a influência de alguém e se indaga o tempo todo sobre que tipo de pessoa é.

O mais encantador dessa temporada é que se escolhe a sororidade em vez da típica competição entre meninas. Além disso, uma conversa entre o casal principal e não brigas supérfluas e humilhantes – em que a menina sempre paga. Há sim cenas que depreciam Eva, até porque isso acontece na realidade, mas é o girl squad em destaque que atua em cima de uma singela desconstrução sobre o que é ser vadia, o que é ser amada, o que é essa necessidade de validação masculina. Conversas que acertam Jonas e, mais adiante, William (Thomas Hayes), rapaz que serve de âncora para a temporada seguinte.

Eva chega ao limite. Tanto sobre a indiferença de Ingrid quanto sobre o distanciamento de Jonas. Ela tem que tomar coragem para se reivindicar e o que contam para embasar essa decisão é uma história de amor que começou “meio errada”, mas que culmina na importância de se colocar em primeiro lugar. A protagonista ensina que não há vergonha em querer parar de ser a sombra, o acréscimo de algo ou de alguém, para reconstruir sua identidade, para sermos independentes.

2ª temporada (Noora Sætre)

Skam - Noora

“Todo mundo que você encontra está lutando uma batalha sobre a qual você não sabe nada. Seja gentil. Sempre” – Noora

É um tanto complicado uma adolescente se colocar em primeiro lugar quando se tem uma mala cheia de péssimas lembranças e um turbilhão emocional empacado na garganta, além de valores tão fortes. Por essas e outras que ao centralizar Noora em seu segundo ano, SKAM pediu contra-argumentos do que foi aprendido anteriormente. Eis um novo ciclo de feminismo e de sororidade, com a diferença de que essas duas palavrinhas começam a testar o girl squad. Tudo do ponto de vista de uma personagem que mostrou, ao longo do ano anterior, que man-child não tem vez e que suas amigas são poderosas demais para correr atrás de validação masculina. Ou quase.

Quando digo testar é mais precisamente Noora que, na S1, tomou partido de Eva e de Vilde diante de slut-shaming e da humilhação que abate muitas adolescentes por causa de um garoto ou de uma garota. A personagem se tornou popular devido aos seus diálogos feministas, literalmente bugando a mente de algumas das meninas. Ela ensinou, por exemplo, que é impossível uma pessoa roubar a outra porque há algo chamado livre arbítrio. Por ter posicionamento forte e voz de liderança, sempre dizendo sobre o que discorda, lá foi a bonita ter tudo isso testado.

Lembram que comentei de William? Ele retorna e passa a assediar Noora no início dessa temporada. Ela nota o que acontece e começa a se encolher para não chamar a atenção – sendo que a jovem não faz nada para ter um holofote no meio do seu rosto. O que passa a ocorrer, uma vez que esse cidadão sinaliza interesse, é algo completamente fora da zona de compreensão da personagem. O garoto é o babacão da Noruega, acha que tem poder de definir qual menina é digna da sua atenção e com quem vale a pena ficar. O típico “fuckboy” que chega ao ponto de usar de outra amiga para ganhar a atenção da protagonista. Um encontro forçado em troca de preservar Vilde que passou a S1 sofrendo demais da conta por esse garoto. Como proceder?

Sem opção, porque não quer magoar Vilde, Noora topa o encontro forçado. É quando a temporada começa a ficar meio irritante porque eis um relacionamento tóxico que se inicia com vários red flags de inclinação a se tornar abusivo. Ao longo das primeiras experiências (a contragosto) com William, seu empoderamento desmorona. É nesse ano que SKAM mostra seu segredo em detalhes, como por meio de um mísero batom. A protagonista não vive sem um vermelhão nos lábios, é o primeiro ponto que chama a atenção em seu rosto, e a cor desbota até desaparecer conforme se relaciona com ele.

O batom é o símbolo de Noora. O vermelho do empoderamento muitas vezes relacionado ao fato de “querer chamar a atenção dos garotos”. Algo que, pelo raciocínio nada lógico, teria chamado a atenção de William e a protagonista não quer isso para si. Não quando foi a própria que disse que nenhuma garota precisa de validação masculina para se sentir bem. Conforme a trama avança, vemos um cara que é stalker, um bocado controlador e temperamental. Isso já torna toda a história meio preocupante e fica pior quando entra a questão do estupro (mencionado, não explícito).

Noora cresce em sua temporada por meio de uma teia de mentiras e de omissões diante do girl squad. Ninguém sabe do seu relacionamento com William até a menção do estupro – tem uma exceção, mas é spoiler. A partir daí, é quando acompanhamos a ruína de uma personagem incrível, mesmo que seja um viés temporário. Depois de episódios e episódios de silêncio sobre seu relacionamento, ela resolve deixar a vergonha desse segredo de lado porque precisa se abrir sobre um acontecimento que volta a colocar todo seu valor em cheque. Ela passa por vários momentos difíceis e vai perdendo sua personalidade. Contudo, é no fim desse ano que a vemos lutar por si mesma. Inclusive, é quando vemos o melhor de William. Embora eu tenha meus “poréns” sobre esse personagem, ele a protege e se preocupa. E, pelo norte da trama, isso basta na medida certa.

Noora também ficou famosa pelo seu benefício da dúvida. A própria trabalha em cima disso quando tem oportunidade e tal detalhe da sua personalidade foi usado na tentativa de convencer que William merece uma chance. Que apesar do estilo de vida dele, do machismo, de ser o leite com pera da Noruega, há sempre oportunidade de mudança positiva. Há sim uma melhora nele, você chega a ter empatia pelo romance mesmo com a claridade de que é tóxico. Ambos colocam quem assiste em parafuso, ainda mais se você é feminista, já que a ducha de água fria é justamente para gente.

Independentemente disso, Noora ensina que é no desespero e na perda de dignidade que encontramos forças que aparentemente não existem. Que cabe a nós a decisão de sermos melhores. Pode-se dizer que há ingenuidade da parte dela, não sei, mas a personagem realmente acredita que todas as dores e experiências são relevantes. Que devemos saber o que há do outro lado antes de julgar. É impossível não julgar William por longos e longos episódios (ainda o julgo) e o fato da protagonista embarcar em um romance claramente furado. Mas quem somos nós para dizer algo?

Há sempre muito o que dizer, mas eis que a série faz com que demos o benefício da dúvida sobre se pode ser bom ou ruim. Ao menos, a gente se dá uma chance de saber o que tem do outro lado.

3ª temporada (Isak Valtersen)

Skam - Isak

“O garoto que não conseguia prender a respiração debaixo d’água”

Eis a temporada que popularizou SKAM graças ao conflito de Isak quanto à sua orientação sexual. Um ponto inserido e pincelado desde a 1ª temporada – o que sinaliza que um ano depende do outro. Ou seja, não adianta pular temporada, amiguinhos. O destaque da vez vai para o boy squad e vemos o quanto um sistema de suporte formado por garotos também pode ser incrível. E é incrível!

Essa temporada mostra SKAM no auge da sua maturidade visual e escrita. Ela manda a lição de casa sobre sexualidade, homofobia, estereótipos e o início da discussão sobre religião. Em um mundo mais aberto à informação, ser intolerante e preconceituoso é uma escolha. A escolha dessa temporada foi respeitar Isak, adolescente que não consegue tirar Even da sua cabeça. De novo, se repete um tipo de relacionamento para engatilhar todos os fantasmas de um protagonista e a riqueza dessa temporada vem nas correlações com Romeu e Julieta de Baz Luhrmann.

Em negação, Isak age para escapar “de ser gay”: começa um relacionamento com uma garota, fadado ao fracasso porque claramente ele não está afim. O personagem também cai na cilada de fazer chacota de quem “aparenta” ser gay e faz alguns comentários infelizes sobre o papel da comunidade LGBT. De início, há muito de atitudes e de indagações normatizadas socialmente, especialmente sobre “se descobrir gay” e “como ser mais ou menos gay”. O personagem faz umas piadinhas iniciais de doer no coração, mas o ato ressalta o medo juvenil de desenvolver sentimentos… por um cara.

Even surge do nada na vida de Isak e age como ponto de confronto para o que começa a se esclarecer diante de quem assiste essa temporada. Aqui não há ruína do protagonista, porém, a dramatização de ambos é fora do sério. Não tenho palavras para descrever.

Conforme Isak busca essa conformidade dentro de si e a validação dos amigos, especialmente de Jonas, o roteiro trabalha as vulnerabilidades nesse caminho de aceitação, que é complicadíssimo para muitos adolescentes. Uma vez que ele se abre, é de se esperar mais chacota, principalmente no meio do seu squad que só sabe falar de quantas garotas “pegaram” na festa e quantas pretendem “pegar”. Mas SKAM faz o oposto. Assumindo-se, o adolescente espera que as coisas saiam dos trilhos, mas o que recebe é amor e respeito – inclusive, sem a necessidade de ficar dando explicações denecessárias.

A partir daí, foi fácil pensar que as coisas seriam tranquilas. Uma vez consciente da sua orientação sexual, bastava engatar o romance e fim de papo. Não. Não em SKAM, que sempre deixa uma pincelada de drama mais carregado no meio de cada temporada, justamente para engrenar os finales. Assim, Even, que se torna seu parceiro, revela um problema de saúde mental. Uma soma que discute o tempo em que estamos vivendo e nos mostra que a vida seria bem melhor sem pré-julgamentos e marginalização.

Vale mencionar Eskild (Carl Martin Eggesbø), o personagem que representa demais a bandeira LGBT e que lança várias verdades sobre o assunto. Um dos melhores diálogos, inclusive, é sobre estereótipos dessa comunidade.

A S3 mostra o quanto um sistema de suporte pode alterar as mais diferentes experiências. O que seria de Isak uma vez que fosse tratado como chacota ao “sair do armário” (e tem a analogia do armário emperrado e, gente, awesome demais!)? É nessas decisões que SKAM mostra seu poder. Sua assinatura. Saindo dos percursos batidos para realmente dar uma lição a quem assiste.

4ª e última temporada (Sana Bakkoush)

Skam - Girl Squad

Essa temporada está em andamento e pouparei quaisquer comentários mais aprofundados por chances de spoilers (vai que alguém está acompanhando ou nem começou ainda, certo?). O que é importante saber é que o quarto ano encerra SKAM para minha tristeza e tem Sana em destaque. A pincelada sobre religião na S3 retorna aqui com força total pelos motivos óbvios.

A discussão abre espaço para islamofobia do ponto de vista de uma personagem que age e reage conforme o que absorve das pessoas ao seu redor, pela forma como os outros se comportam e se dirigem a ela. Um dos pontos altíssimos da S4 é o debate sobre a questão da mulher omissa e submissa que vive apenas no aguardo de um casamento determinado pelos pais – dando liga para o romance que desmorona tão quanto os elos do girl squad são testados de novo. E testados de um jeito que você acredita que tudo que ocorreu na S1 será morto e enterrado.

É um ano de reflexão densa e de amarração, sobre tudo o que foi conversado ao longo dos 3 anos e como esses tópicos podem fugir das nossas mãos dependendo do ponto em que nos encontramos, especialmente porque nem sempre conseguimos ser fiéis a quem somos e ao que sentimos – e está tudo bem! Desde que a gente reconheça isso diariamente, perdoe e se perdoe, sempre haverá uma chance de se redimir.

“Você sabe que não precisa enfrentar tudo no mundo sozinho” – Eskild

Skam - boy squad

A NRK foi a grande responsável em ter dificultado o acesso de SKAM em outros países ao ponto de ter agido como fiscal de legenda em outras línguas (o áudio original é norueguês). Uma relutância um tantinho quebrada, pois a série logo mais estará na terra do Tio Sam, já que os direitos para uma versão norte-americana foram comprados. Resta saber qual canal fez isso e se há motivos para temer.

O que torna SKAM tão verdadeira em vários aspectos e com diferentes públicos é que os escritores e produtores pesquisaram a realidade adolescente na Noruega a fim de retratá-la com fidelidade. Um ato que fez toda a diferença, uma vez que a websérie conversa com quem assiste, independentemente da idade. Há festas, beijos, sexo… e não é uma Malhação sem cerveja. Só que nada disso importa uma vez que cada episódio é entregue com muito coração, mesmo que você fique de testa quente com alguns desdobramentos que nos faz lembrar as delícias e os perrengues de ser adolescente.

Julie iniciou esse projeto para fazer o público refletir e conseguiu com extremo sucesso. Essa é, definitivamente, a marca de SKAM. E seu elenco é carismático o bastante para dar conta do recado. Por essas e outras que digo que queria ter curtido uma série dessas na adolescência. Diante dessa, as histórias passadas, com exceção de algumas, como One Tree Hill, são vazias, sem propósito e vivem de shipper. Há várias que alienam seu público a um estilo de vida e a um tipo de romance irreais. Aqui, a websérie norueguesa tem puro realismo dramático. Cada episódio é uma conversa séria e você aprende se assim se permitir.

Embora tenha essa sombra de “novo Skins“, devido ao seu formato, a diferença está na premissa temática que faz desse mundinho um verdadeiro deleite norueguês. Sério, a experiência é bem-vinda até para quem tem 30 e poucos anos.

Enfim. SKAM não é pesada visualmente, nem se esforça para criar uma geração do hype. Há adolescentes que você consegue se relacionar, há humanidade e humildade. Não são todas desse gênero dispostas a ser apenas simples, apenas focar na mensagem. Julie tratou seus adolescentes dentro de uma vivência comum (alerta: há o problema da ausência dos pais), mas o meio estudantil é o palco dos squads que são formados por personalidades discrepantes, e é essa discrepância que faz tudo funcionar demais. A união e a empatia cativam muito.

Esse universo diz que é ainda mais cool dizer sua própria verdade. Que é possível ser descolado e não perder sua identidade no processo. Que você pode falar o que pensa e ser indesculpável. Há muito conteúdo que torna SKAM um drama de conscientização imperdível. Esses adolescentes se ajudam, até quando a pessoa soa “indigna”. Há um trabalho interior e resoluções não tão nocivas em alguns aspectos.

Vamos dizer que SKAM é uma websérie de luz porque é sim. Obviamente que há falhas, como toda série adolescente, mas os pontos sociais são chavões. Há maturidade. Nada é preto e branco. É multicolorido, várias nuances de conflitos que permeiam um olhar fresco sobre o drama de ser adolescente. Era exatamente esse formato que faltava para atender esse público.

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Antes de partir para o que interessa, uma verdade: pode passar o tempo que for, mas aquele calcanhar de Aquiles com o rótulo "série teen" sempre existirá em minha pessoa. Uma pena que, a cada ano que passa, poucas que surgem chamam a atenção à primeira vista, conseguem prender qualquer telespectador de primeira ou perduram com qualidade ao longo das temporadas – sendo este último detalhe bastante colocado em cheque nesse universo. Afinal, chega uma hora em que o fandom tem mais voz que os roteiristas e daí temos a famosa ladeira abaixo. [Nem tudo é perfeito, né?] O mundo das séries adolescentes costumava ser mais vasto e seus escritores um tanto mais dedicados – inclusive, mais acessíveis, por assim dizer. Só esse ano, várias finalizaram, tais como The Vampire Diaries, e, logo menos, Pretty Little Liars e Teen Wolf  lhe farão companhia. Assim, numa cacetada só, três séries que marcaram uma geração falecerão. Too much! Não posso esquecer de mencionar outras queridas que também se foram, como Skins e My Mad Fat Diary. Além de inesquecíveis, demarcam outra zona de produção desse conteúdo, enaltecendo os adolescentes ingleses – fato que prova que séries teens têm plena capacidade de se assentar em vários lugares do mundo e, hoje, vamos lá para a Noruega, lar do hit chamado SKAM. Não duvido nada que SKAM tenha marcado presença temporária em rodas de conversa sobre séries e que alguns soltaram os famigerados "já ouvi falar" ou "desconheço". Há dois anos, ela parecia apenas uma websérie pouco comentada e repercutida – com exceção, provavelmente, entre aqueles muito chegados a conteúdo adolescente e/ou parte do fandom. Em parte, isso acontece vale pela dificuldade de ter acesso aos episódios, fazendo com que quem acabe por compartilhar o conteúdo no Brasil são justamente os sites de fãs. Ou seja, depende muito do interesse de correr atrás e assisti-la. Acreditem, vale a pena! Mas o que é SKAM no final das contas? Trata-se de uma websérie norueguesa criada por Julie Andem, lançada em 2015 (isso mesmo, 2015!!) sobre um drama adolescente que se passa em Oslo, Noruega – e que encontrou seu auge ao longo da 3ª temporada devido ao casal gay formado por Isak (Tarjei Sandvik Moe) e Even (Henrik Holm). Há, sem dúvidas, outros méritos a serem destacados, tais como a preocupação em criar uma interação real entre os personagens e o público (norueguês precisamente),  investida esta que estende à experiência do que ocorre nos "clipes" que são transmitidos durante a semana até a liberação do episódio completo. "Como assim?", você pode estar se perguntando. SKAM mistura realidade com ficção em vários âmbitos, a começar pela grande oportunidade de interação com os personagens por meio do celular, o que deixou o público norueguês obcecado. Os "clipes" que, em suma, são fragmentos de poucos minutos do episódio em si abrem margem para o compartilhamento de material em redes sociais e em SMS, seja para adiantar um evento ou reforçar um acontecimento. Cada um tem uma conta e "postam" como se fossem tangíveis – como amigos mesmo. [Notificações de vício atualizadas com sucesso].…

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Elenco
Direção
Roteiro

Relevante

Enfim, o drama adolescente que sempre foi necessário.

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