Filme de Cyberpunk 2077 não vai adaptar o jogo, diz CDPR
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Copresidente da CD Projekt RED afirma que o filme da Paramount contará uma história inédita em Night City; 'Edgerunners 2' estreia nesta terça-feira.

O filme de Cyberpunk 2077 não vai recontar a história do jogo. Em entrevista ao veículo polonês PAP Biznes, o copresidente da CD Projekt RED, Michał Nowakowski, afirmou que o longa em desenvolvimento na Paramount Pictures vai contar uma história original dentro do universo de Night City — e não uma adaptação direta do RPG lançado em 2020. A declaração foi publicada nesta semana, oito dias depois de a Paramount confirmar o projeto, e revela a estratégia que a empresa quer repetir no cinema depois do sucesso do anime Cyberpunk: Edgerunners.
A decisão evita a armadilha clássica das adaptações de RPG: escolher um final canônico entre as dezenas de caminhos possíveis do jogo. É também o mesmo movimento que a CD Projekt RED já fez na televisão, com personagens novos e história independente, e que volta a ser testado em Cyberpunk: Edgerunners 2, que chega à Netflix na terça-feira (20) com dez episódios liberados de uma só vez.
O que a CD Projekt RED disse (e por que isso importa)
Para Nowakowski, o filme parte do universo, não do roteiro do jogo. A declaração foi dada ao site polonês PAP Biznes e reproduzida pela imprensa especializada:
"Neste momento, só podemos dizer que definitivamente não queremos fazer uma adaptação do game para o cinema. Queremos contar uma história no mundo de Cyberpunk, mas não será uma transposição um a um da história do jogo."
— Michał Nowakowski, copresidente da CD Projekt RED, ao PAP Biznes
O executivo também explicou por que a empresa prefere produtos paralelos, em vez de reciclar o enredo do game. Na prática, a CD Projekt RED quer transformar o filme e o anime em porta de entrada para o jogo — e não o contrário. A própria empresa já havia sinalizado a ambição: no dia do anúncio do longa, Nowakowski publicou no X que a produtora estava "animada com a Paramount como parceira futura, que compartilha as nossas ambições criativas para a franquia Cyberpunk".
Segundo a Reuters, a confirmação do filme fez as ações da CD Projekt RED subirem 3% no pregão seguinte. A produtora polonesa tem 184 desenvolvedores dedicados à sequência do game (sem data de lançamento), segundo dados de 31 de julho, e vê o cinema como forma de manter a franquia quente até lá. Analistas ouvidos pela agência avaliaram que a associação com Hollywood deve sustentar o interesse dos jogadores no intervalo entre os lançamentos.
Como nasceu o filme da Paramount
O projeto foi revelado pela Deadline em 8 de outubro. De acordo com a publicação, a Paramount Pictures desenvolve um filme live-action ambientado no universo de Cyberpunk 2077, com produção de Lorenzo di Bonaventura — produtor da série Transformers — ao lado da própria CD Projekt RED, dona dos direitos da franquia. Variety, Reuters e The Verge confirmaram a informação no mesmo dia.
Até agora não há diretor, roteirista, elenco ou data de estreia definidos publicamente. Keanu Reeves, que interpreta o roqueiro-terrorista Johnny Silverhand no jogo, não tem participação confirmada no longa, e a Paramount não comentou o assunto. O formato live-action foi confirmado pela Deadline e reportado também pela Hollywood Reporter e pela Reuters.
O longa integra uma ofensiva da Paramount no mercado de games. O estúdio lançou Street Fighter nos cinemas em 16 de outubro e tem um filme de Call of Duty em desenvolvimento, com direção de Peter Berg e roteiro assinado em parceria com Taylor Sheridan. É o mesmo caminho trilhado por outras adaptações recentes que viraram franquia — tema que já rendeu análises por aqui, como no caso do filme de Call of Duty e do clássico do PS3 que ganhará versão para os cinemas.

Edgerunners é o modelo que a CDPR quer repetir
A escolha de "expandir, não adaptar" não nasce do acaso. Quando lançou o anime Cyberpunk: Edgerunners, em 2022, a CD Projekt RED apostou num protagonista que não existe no jogo — David Martinez — e numa trama totalmente original, animada pelo estúdio japonês Trigger. A série virou fenômeno de crítica e renovou o interesse pelo game, ajudando a sustentar as vendas do título por meses. Foi exatamente esse efeito que Nowakowski citou ao comentar a segunda temporada:
"Esse tipo de evento tem dois efeitos: ativamos os jogadores que já existem e atraímos novos públicos. Esperamos que desta vez também possamos convidar quem assiste a animes para o nosso jogo."
— Michał Nowakowski, ao PAP Biznes
Estreia desta terça-feira, Cyberpunk: Edgerunners 2 repete a fórmula: dez episódios, série fechada em si mesma, sem exigir que o espectador conheça o jogo ou a primeira temporada. A direção é de Kai Ikarashi, com design de personagens de Kanno Ichigo e história assinada por Bartosz Sztybor e Masahiko Otsuka — os mesmos nomes por trás do roteiro da primeira temporada. A produção é da CD Projekt RED com o Trigger, e o lançamento é exclusivo da Netflix.
A nova leva traz quatro protagonistas, cada um de um canto diferente da cidade:
- Weak (Clancy Brown) — lenda do submundo que perdeu os implantes e tenta encontrar um propósito na cidade que o ultrapassou;
- D (Nazeeh Tarsha) — netrunner dos nômades da Snake Nation em busca de vingança;
- Roman Carax (Valeria Rodriguez) — cinéfilo que documenta tudo o que há de errado em Night City;
- Talia Yang (Kimoy Lee) — ex-corporativa ligada à gangue Maelstrom.
O primeiro episódio foi exibido em julho na Anime Expo, em Los Angeles, para cerca de 6 mil pessoas na Crypto Arena. A CD Projekt RED confirmou a data junto com um novo trailer em agosto, e o Netflix Tudum reforçou que a temporada é independente da anterior. Detalhes de elenco e a sinopse completa estão na página oficial da série.

Por que não adaptar o jogo é a decisão mais segura
Cyberpunk 2077 é um RPG de escolhas. O jogador define a origem do protagonista V — nômade, street kid ou corporativo —, decide aparência, gênero, romances e desfechos, e o final da campanha varia conforme essas escolhas. Transformar isso em duas horas de filme exigiria eleger uma versão "oficial" e contrariar boa parte do público, que construiu a própria trajetória no game.
Há ainda dois obstáculos práticos. O primeiro é o próprio V: um protagonista personalizável precisa ganhar rosto, voz e sotaque fixos no cinema. O segundo é Johnny Silverhand, cuja imagem no jogo está colada à de Keanu Reeves — o que cria uma dependência de ator que uma história ambientada em outro canto de Night City simplesmente não tem.
Do outro lado, sobra material de sobra. O universo não começou no videogame: vem do RPG de mesa Cyberpunk, criado por Mike Pondsmith nos anos 1980, com corporações, mercenários, ripperdocs e gangues que o jogo só explorou em parte. Uma história nova pode ocupar bairros, décadas e personagens que o game nunca mostrou — exatamente o que o anime fez.
O movimento segue uma tendência recente de Hollywood, que passou a tratar jogos como universo e não como roteiro. Foi assim com The Last of Us, na HBO, e com as adaptações de Super Mario e Minecraft nos cinemas. Na prática, o público aceita bem uma história inédita; rejeita com facilidade uma versão resumida e pior do que já jogou.
O que já se sabe (e o que falta) sobre o filme
O longa está em estágio inicial: a própria Deadline descreveu o projeto como recém-anunciado, sem previsão de chegada. Este é o quadro até agora:
| Item | Situação |
|---|---|
| Estúdio | Paramount Pictures |
| Formato | Live-action, dentro do universo de Cyberpunk 2077 |
| Produção | Lorenzo di Bonaventura e CD Projekt RED |
| Roteiro | Não anunciado |
| Direção | Não anunciada |
| Elenco | Não anunciado — Keanu Reeves não tem participação confirmada |
| História | Original, ambientada em Night City; não é adaptação direta do jogo |
| Estreia | Não anunciada |
Alguns números ajudam a entender o tamanho da franquia que a Paramount comprou para o cinema:
- 40 milhões de cópias vendidas de Cyberpunk 2077 até 3 de julho, segundo a Reuters;
- 15 milhões de cópias da expansão Phantom Liberty;
- 184 desenvolvedores trabalhando na sequência do game em 31 de julho, ainda sem data de lançamento;
- 10 episódios de Cyberpunk: Edgerunners 2, disponíveis na Netflix em 20 de outubro.
O que observar até o filme chegar
O desempenho de Edgerunners 2 é o teste mais concreto da tese defendida por Nowakowski: se a nova temporada repetir o efeito da primeira sobre as vendas e a base de jogadores do game, a CD Projekt RED ganha argumento para manter o cinema longe da adaptação literal. O filme da Paramount ainda não tem data nem equipe criativa anunciada — e deve seguir nessa fase até que o próprio estúdio decida como ocupar Night City.
Enquanto isso, a franquia segue expandindo por outros caminhos: além do anime e do longa, a empresa prepara a sequência do jogo, sem previsão de lançamento. Para acompanhar tudo o que envolve a série animada, vale seguir a categoria de Séries e TV; para as novidades do cinema, o acompanhamento está em Filmes.
A declaração de Nowakowski foi publicada pelo PAP Biznes e repercutida por Polygon e Gizmodo.