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Netflix compra 'Jack of Spades', novo filme de Joel Coen

Netflix adquire os direitos mundiais do mistério gótico de Joel Coen, estrelado por Josh O'Connor, e marca estreia nos cinemas para o outono de 2027.

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Joel Coen em evento de cinema
Foto: Stephane Cardinale – Corbis/Corbis via Getty Images · Foto: Stephane Cardinale – Corbis/Corbis via Getty Images

Netflix adquiriu os direitos mundiais de “Jack of Spades”, o novo longa dirigido por Joel Coen, e vai lançá-lo nos cinemas no outono de 2027 — entre setembro e novembro no Hemisfério Norte — antes de disponibilizá-lo no streaming ainda naquele ano. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (2) por veículos como The Hollywood Reporter, Deadline e TheWrap, pouco depois de o filme ter sido exibido a potenciais compradores em uma versão de quase 150 minutos. Estrelado por Josh O’Connor, Patsy Ferran, Damian Lewis e Lesley Manville, o projeto é descrito como um mistério gótico ambientado nas Terras Altas da Escócia, com produção concluída no fim de 2025.

A aquisição coloca a Netflix novamente ao lado dos irmãos Coen, sete anos depois de “A Balada de Buster Scruggs” (2018), e sinaliza que o estúdio quer transformar o filme em uma peça central da temporada de premiações de 2027. Para Joel Coen, é também o retorno a um longa de ficção depois de “A Tragédia de Macbeth” (2021), realizado para A24 e Apple TV+.

O que a Netflix comprou e quando o filme chega

O acordo garante à Netflix os direitos de distribuição mundial de “Jack of Spades”. A estratégia anunciada repete um modelo que o serviço vem adotando com títulos de prestígio: uma janela nos cinemas, com lançamento previsto para o outono de 2027, seguida da chegada ao catálogo ainda naquele ano. A data exata e o número de salas, porém, não foram divulgados.

O filme foi rodado em 2025 e teve sua montagem acompanhada de perto pelo mercado. Em agosto de 2026, a Variety relatou que o longa havia sido exibido a compradores em uma versão de aproximadamente 150 minutos, além de um corte “mais enxuto”. A expectativa, segundo a publicação, era de que o anúncio da venda saísse “mais cedo do que tarde”. Três meses depois, a negociação se concretizou.

O negócio foi fechado em um momento de reorganização na cúpula da Netflix. Segundo o TheWrap, a aquisição ocorre depois de Peter Rice assumir o posto de diretor de conteúdo (Chief Content Officer) no lugar de Bela Bajaria e da saída de Dan Lin, então responsável pela área de filmes do serviço. A mudança de comando ajuda a explicar o apetite renovado por projetos de diretores consagrados, com potencial de crítica e de prêmios.

Um mistério gótico nas Terras Altas da Escócia

“Jack of Spades” é baseado no romance “The Alien: A Story of Middle Age”, publicado em 1901 por Frances Frederica Montrésor, conhecida como F. F. Montrésor. A trama foi transportada para a Escócia do fim do século XIX, em cenário de época que a produção reconstruiu em cidades como Paisley, Edimburgo, Culross e Glasgow.

A sinopse oficial divulgada pela Netflix aposta no clima de suspense e traição:

“Um mistério gótico sinistro, repleto de intriga e traição, ambientado na atmosférica região das Terras Altas da Escócia.”

O texto é deliberadamente econômico. Nem a Netflix nem os produtores revelaram detalhes sobre o enredo, os personagens ou o papel de cada intérprete. A referência ao romance de 1901, no entanto, indica uma história de maturidade, identidade e deslocamento — temas que o título original, “The Alien”, sugere de forma direta e que o roteiro deve reinterpretar sob a lente sombria típica da filmografia dos Coen.

Joel Coen, Patsy Ferran, Josh O’Connor, Damian Lewis e Lesley Manville em retratos de divulgação
Da esquerda para a direita: Joel Coen, Patsy Ferran, Josh O’Connor, Damian Lewis e Lesley Manville. (Foto: Getty Images, WireImage e Rachell Smith / Deadline)

Elenco de peso e uma equipe de velhos conhecidos

O elenco reúne nomes com trajetórias distintas, mas todos com credenciais de premiação. Josh O’Connor, que ganhou o Emmy por “The Crown” e estrelou “Rivais” (2024), volta a trabalhar com a Netflix depois de “Wake Up Dead Man” (2025). Patsy Ferran, vencedora do Olivier, apareceu recentemente em “Mickey 17”. Damian Lewis, conhecido por “Homeland”, e Lesley Manville, indicada ao Oscar por “Trama Fantasma”, completam o quarteto principal. Frances McDormand, mulher de Joel Coen, também integra o elenco e assina a produção.

Nos bastidores, Coen reuniu colaboradores de longa data. Bruno Delbonnel, diretor de fotografia de “Inside Llewyn Davis” e “A Tragédia de Macbeth”, assina a imagem. Carter Burwell, parceiro dos irmãos desde “Blood Simple” (1984), é o responsável pela trilha sonora. A produção é de Robert Graf, Frances McDormand, Joel Coen, Steven Rales (Indian Paintbrush), Graham Broadbent e Pete Czernin (Blueprint Pictures), com Donald MacKinnon como produtor executivo.

Ficha técnica Detalhe
DireçãoJoel Coen
RoteiroJoel Coen, Ethan Coen, Eleanor Catton e Conor McPherson
ElencoJosh O’Connor, Patsy Ferran, Damian Lewis, Lesley Manville e Frances McDormand
FotografiaBruno Delbonnel
Trilha sonoraCarter Burwell
DistribuiçãoNetflix (mundial)
EstreiaOutono de 2027, nos cinemas

Das ruas de Glasgow à disputa entre estúdios

As filmagens começaram em setembro de 2025 e se estenderam até outubro, com locações que exigiram mudanças temporárias no cotidiano de cidades escocesas. Em Glasgow, mais de 20 vias no centro foram fechadas ou tiveram restrições para que o entorno fosse caracterizado como o século XIX. Em Culross, no condado de Fife, a produção também transformou o cenário urbano para as gravações.

Em novembro de 2025, Josh O’Connor confirmou à British Vogue que as filmagens haviam sido encerradas. A partir daí, o filme entrou na fase de montagem e passou a ser tratado como um dos títulos mais cobiçados do mercado, justamente pela combinação de um diretor premiado, um elenco de prestígio e uma premissa comercialmente atraente.

A disputa pela distribuição ocorreu em um contexto de acirramento entre streamings e estúdios tradicionais. A Netflix tem ampliado a aposta em lançamentos híbridos, com passagem pelos cinemas antes do catálogo, para atender a exigências de elegibilidade em premiações e a demandas de exibidores. O caso de “Jack of Spades” segue essa lógica e reforça a presença da empresa na temporada de premiações.

O que a aquisição significa para a temporada de premiações

O The Hollywood Reporter afirma que a Netflix vê o filme como um forte candidato na próxima temporada do Oscar e planeja uma campanha robusta. A escolha do outono de 2027 não é casual: a janela permite que o longa cumpra os requisitos de exibição em salas e chegue ao streaming com tempo hábil para a votação da Academia.

Joel Coen é quatro vezes vencedor do Oscar. Ele levou três estatuetas por “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007) — melhor filme, roteiro adaptado e direção — e uma por “Fargo” (1996), na categoria de roteiro original. A parceria com a Netflix também já rendeu frutos: “A Balada de Buster Scruggs” recebeu três indicações, incluindo melhor roteiro adaptado.

Para o serviço, o filme representa ainda uma ponte com um público que costuma resistir ao lançamento direto no streaming. A passagem pelos cinemas, associada ao prestígio do diretor, pode ampliar a cobertura de crítica e o alcance em premiações — algo que a empresa vem perseguindo desde títulos como “Roma” e “O Irlandês”.

Os irmãos Coen juntos de novo

“Jack of Spades” marca o primeiro trabalho de Joel e Ethan Coen como roteiristas em bastante tempo. Desde que passaram a dirigir separadamente, Ethan realizou as comédias “Drive-Away Dolls” (2024) e “Honey Don’t!” (2025), além do documentário “Jerry Lee Lewis: Trouble in Mind” (2022). Joel dirigiu “A Tragédia de Macbeth”, com Denzel Washington e Frances McDormand.

Os dois já declararam que devem voltar a trabalhar juntos em breve. Há rumores de um filme de terror, e Ethan chegou a brincar sobre o assunto em entrevista ao TheWrap em 2024, ao dizer que o projeto envolvia “sangue e penas”.

“Sangue e penas.”

A declaração, feita em tom de piada, alimenta a expectativa em torno de uma reunificação criativa. “Jack of Spades”, no entanto, é oficialmente um filme solo de Joel na direção, ainda que conte com o irmão no roteiro — uma configuração que já havia sido testada em “A Tragédia de Macbeth”, escrito apenas por Joel.

O que esperar até 2027

Com a distribuição definida, o próximo passo é a divulgação. É provável que o primeiro material oficial — imagens, pôster e trailer — chegue ao longo de 2027, à medida que a Netflix monta a campanha para o outono. Até lá, o filme segue como um dos projetos mais misteriosos do calendário, sustentado por um elenco de peso e por um diretor que raramente erra na escolha de material.

Para o leitor que acompanha o cinema de autor, “Jack of Spades” reúne os ingredientes que costumam definir os grandes lançamentos de fim de ano: um texto literário pouco adaptado, um elenco britânico de primeira linha e uma equipe técnica consolidada. Resta saber se o resultado confirmará a expectativa — e se a aposta da Netflix se traduzirá em estatuetas.

Enquanto isso, o catálogo da plataforma segue recebendo títulos de peso. Vale acompanhar também as decisões recentes da Netflix sobre franquias e os números do terceiro trimestre de 2026, que ajudam a entender o momento financeiro da empresa. Para os fãs de cinema, a seção de filmes do portal reúne as principais estreias e análises.

Fonte primária: o anúncio foi reportado por The Hollywood Reporter e Deadline.

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